Piet Mondriaan     Title: Composition with Large Red Plane, Yellow, Black, Gray and Blue Painting scan van neg juni2006

Piet Mondriaan    
Composition with Large Red Plane, Yellow, Black, Gray and Blue

O nome Mondrian remete, para muitas pessoas, a uma associação imediata com retângulos de cores primárias delimitados por linhas pretas. Mas ele, como tantos outros mestres das artes, não se manteve a vida inteira no âmbito dos seus trabalhos mais conhecidos. Piet Mondrian (1872-1944) chegou a sua obra mais famosa – Composição com grande plano vermelho, amarelo, preto, cinza e azul – em 1921, depois de uma trajetória que se iniciou em 1892, ao ingressar na Academia Real de Artes Visuais de Amsterdã.

Nos quase 30 anos que antecederam a esse “universalismo”, Mondrian produziu paisagens densas, escuras, e às vezes sombrias, que caracterizavam a pintura holandesa do século XIX. Em certa fase percebemos clara influência do cubismo, iluminismo e de nomes importantes como Picasso e Cézanne.

Autorretrato (1918)

Autorretrato (1918)

Aos poucos, o artista foi se aproximando dos movimentos artísticos que aconteciam na Europa. Seus tons foram clareando e suas composições ficando mais ousadas, num processo contínuo. Após essa influência temporária de estilos, procurou formas de abstrair a realidade e retratar a essência da imagem e a busca pela arte universal.

Na obra “Autorretrato”, de 1918, Mondrian tenta deixar claro suas influências e já começa a mostrar os traços de abstração ao fundo da imagem.

Adepto da Teosofia (religião que prega que o universo tem uma força que você pode alcançar através de sua essência, retirando tudo que é supérfluo da sua vida), Mondrian expressa esta filosofia de vida em suas obras, que buscavam pelo simples, pelo espacial.

Mondrian e o Movimento De Stijl

“Mondrian e o movimento De Stijl” é o nome da exposição que os CCBBs de todo o Brasil recebem. Uma oportunidade imperdível para conhecer as obras dos artistas desta época.

Pieter Tjabbes – Curador da exposição

“Organizamos tudo para que o visitante possa acompanhar esse percurso e entender que aqueles retângulos coloridos que povoam até hoje o imaginário moderno, e são tão facilmente reconhecíveis, não nasceram de uma hora para outra, nem por acaso”, explica o curador da exposição, Pieter Tjabbes.

A exposição, educativa, interativa e acessível, parece ter sido projetada para o espaço do CCBB BH. Projetada de forma cronológica, faz com que os visitantes sejam direcionados por totens para acompanhar toda a trajetória do artista e do movimento neoclassista europeu. A decoração do prédio também foi toda idealizada para fazer o público se sentir dentro de uma obra de Mondrian. Destaque para o teto do pátio do Centro Cultural que recebeu uma plotagem especial para a exposição.

Pátio CCBB – Belo Horizonte

A mostra não se limita às obras artísticas de Mondrian. Há uma segunda etapa, igualmente relevante para compreender o que aconteceu naquele período (1917-1928), que ilustra a agitação provocada pela revista De Stijl (O Estilo), o meio escolhido para que um grupo de artistas, designers e arquitetos, incluindo Mondrian, defendesse o neoplasticismo e a utopia da harmonia universal de todas as artes.

Mondrian acreditava que sua visão da arte moderna transcendia as divisões culturais e poderia se transformar numa linguagem universal, baseada na pureza das cores primárias, na superfície plana das formas e na tensão dinâmica em suas telas. E seus companheiros da De Stijl não só tinham visão semelhante, como aplicaram esses conceitos a todo tipo de arte.

No design, por exemplo, é representativa desse movimento a cadeira Vermelha Azul, que Gerrit Rietveld criou entre 1917 e 1923. O mesmo Rietveld levou o De Stijl para a arquitetura, ao desenhar e construir em 1924 uma casa para Truus Schroder-Schrader em que aplicou a paleta de cores primárias privilegiando espaços abertos, luminosidade, ventilação e funcionalidade, rompendo com convenções arquitetônicas da época.

Uma curiosidade a respeito desta cadeira idealizada em sua essência e funcionalidade, para dar suporte ao corpo. A parte do assento acolhedor em azul e o encosto em vermelho, rígido para dar suporte e para criar espacialidade e movimento, detalhes amarelos nas linhas pretas. Aos olhos a cadeira não é nada confortável, sentimento este que logo é confirmado pelo curador, que possui um exemplar em casa e nos diz que Rietveld tinha uma resposta pronta quando questionado a respeito do conforto de sua obra: “Sentar é um verbo, uma atividade e não um estado”.

Cadeiras

Cadeira Vermelha Azul de Gerrit Rietveld

A famosa cadeira pode ser vista na exposição em 3 versões: a original, uma réplica comercializada e um exemplar gigante na entrada do CCBB, onde os visitantes podem se sentar, se divertir e fazer várias fotos. Outro exemplar interativo irá circular alguns pontos de BH. Na primeira semana de agosto ela poderá ser vista no salão de autoatendimento da principal agência do Banco do Brasil de Belo Horizonte, na rua Rio de Janeiro.

 

Cadeira Caixote

Cadeira Caixote Rietveld

A obra de Rietveld pode ser vista em outros exemplares de cadeira, destaque para cadeira Caixote, o primeiro mobiliário desenvolvido no sistema “Tok Stock”, monte em sua casa. Feita de madeiras de caixote e enviadas pelos correios, desmontada, para economizar. Um exemplar original pode ser visto nas galerias e réplicas infantis no espaço das crianças.

E por falar em crianças… esta sem dúvidas foi a nossa galeria predileta da exposição. Denominada Espaço para Crianças, a sala possui um game onde dois jogadores podem tentar montar um dos famosos quadros de Mondrian e outra estrutura interativa onde podemos recriar, através de uma estrutura com imãs, Victory Boogie Woogie, última obra do artista, de 1944, pintada quando morava em NY.

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Bruno e Jú – Blog Que Viagem

Outro destaque é o espaço para fotos, onde os visitantes se posicionam em um espaço branco, posicionam o celular em uma estrutura com uma lente para fotografar e o resultado é uma foto flutuando em uma das telas de Mondrian.

 

 

 

 

Revista De Stijl

Mondrian é Pop

Mondrian é Pop – Imagens vídeo da exposição

Os princípios expostos nos 12 anos em que a revista De Stijl circulou foram utilizados nas artes plásticas, na arquitetura, na fotografia, no design, na literatura, na tipografia e até mesmo na moda. Em Mondrian e o movimento De Stijl será possível acompanhar, por intermédio de obras originais, maquetes, mobiliários, fotografia, documentários, fac-símiles e publicações de época, essa forma de ver o mundo e as artes que era revolucionária em 1917 e continua moderna até hoje.

O movimento influenciou a publicidade da época, através de fotos, tipografia e composição gráfica dos anúncios.

GRITOUm belo exemplo de publicidade da época é este anuncio, denominado“O Grito”, que diz:
“Propaganda não é um grito…
Propaganda é uma ciência…
Propaganda é uma força”

A influência na publicidade foi tão grande que até mesmo uma tipografia, baseada no estilo, foi criada. Ela é formada por 25 cubos que em conjunto montam um alfabeto completo, incluindo números.

Curiosidades sobre Mondrian:

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– Quando mudava seu estilo, mudava também de atelier;
– Quase abandonou sua carreira de pintor por problemas financeiros. E para ganhar dinheiro, pintava flores, que eram mais comerciais que suas abstrações;
– Nunca se casou, por acreditava que suas energias deveriam estar focadas em sua missão;
– Se considerava um profeta que iria divulgar esta nova fé através de sua arte;
– Tinha aversão ao verde, a natureza. Suas obras depois de uma fase não possuíam esta cor e seu atelier era posicionado de uma forma com que não fosse possível enxergar as árvores da rua;
– Seu atelier em Paris era um ponto turístico para os artistas da época. E Mondrian se arrumava para recebê-los, um verdadeiro evento social;
– Sua música predileta era o Jazz;
– Ele morreu de pneumonia, em 1944, aos 71 anos, em NY.

A exposição Mondrian e o movimento De Stijl, organizada pela Art Unlimited e patrocinada pelo Banco do Brasil, foi aberta ao público de Belo Horizonte em 20 de julho. São cerca de 100 obras — 30 das quais de Mondrian — e uma seleção de múltiplas manifestações do movimento De Stijl compondo o mais completo conjunto desse período já exibido no Brasil.

A maior parte do acervo é procedente do Museu Municipal de Haia (Gemeentemuseum, Den Haag), da Holanda, que reúne a maior coleção do mundo de obras de Mondrian. A exposição, que é gratuita, acontece no CCBB de Belo Horizonte e segue para o Rio de Janeiro.

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CCBB BELO HORIZONTE
De 20/07 à 26/09/2016
Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – (31) 3431-9400
Horário: quarta a segunda, das 9h às 21 horas